quarta-feira, 25 de junho de 2008

OS 100 ANOS DA MIGRAÇÃO JAPONESA AO BRASIL




Agora em Junho, comemora-se 100 anos desde a chegada do KASATU MARU, primeiro navio japonês que atracou no porto de Santos SP, trazendo as primeiras famílias japonesas para o Brasil.
Difícil imaginar o que passaria pela cabeça de cada um dos passageiros do Kasatu Maru, durante os intermináveis 52 dias de viagem entre o longíncuo Japão e o Novo Brasil.
Atraídos pela promessa de ganho fácil nas lavouras de café, onde anos antes imperava a escravatura, esses heróis japoneses deixaram tudo para trás. Sua pátria, família, tradições para se aventurarem em uma terra completamente desconhecida.
Na chegada ás fazendas de café, logo viram que foram enganados e que a promessa de riqueza seria a primeira decepção que encontraram na terra prometida.
Me lembro muito bem, lá pelos idos de 1970, quando aquele casal de japoneses arrendou as terras vizinhas ao sítio de meu pai.
Era um lindo casal, ele se chamava Mamoru Takaki e ela Kimico Takaki.
Recén casados e com uma disposição em vencer na vida que nunca tinha visto antes.
O sítio era um pedaço de terra abandonado e que nunca produzira nada e que antes, era habitado por um ancião que se chamava Batista.
Tinha um casebre feito de taipa e nada mais.
Ele não falava uma palavra em Português, ela já falava até que bem, o problema é que não falava muito.
Tinham uma amizade e um respeito por meu pai que era algo maravilhoso de se ver.
Os 2 ficavam ás vezes horas e horas trocando pouquíssimas palavras um com outro, mas nunca faltou respeito entre os dois.
De vez em quando, eu ia visitá-los e já dava para perceber que eles tinham uma tecnologia mais avançada do que em nossa.
Um exemplo que me lembro, foi que, embora a casa deles fosse toda de madeira, ele desenvolveu uma rede distribuição de gás que ia desde a cozinha até os quartos e com isso, ele tinha luz em todos os ambientes ao mesmo tempo, coisa que lá em casa não tínhamos, pois meu pai tinha só um lampião á gás que era levado de um cômodo a outro durante a noite, não permitindo luz em todos os cômodos.
Este detalhe me marcou muito e me lembro muito bem disso, além das técnicas de cultivo que eram compartilhadas com meu pai e vice versa.
Eram grandes amigos, tinham um respeito mutuo.
Quando o Mamoru contou que iriam iniciar o trabalho no sítio com uma plantação de rosas, todos os vizinhos acharam que ele era louco. Afinal, naquelas terras, plantar rosas?
Bem os meses se passaram, e de sol a sol, de domingo a domingo, eles trabalhavam.
A qualquer hora do dia que você fosse na casa deles, eles estavam trabalhando a terra e foram transformando aquele pedaço de chão em algo novo, devagarzinho as roseiras foram crescendo, brotando e aos poucos, maravilhosos botões de rosas de todas as cores eram cortados, embalados e encaixotados para serem vendidos no mercado municipal e até enviados a S.Paulo no CEASA.
Logo depois, arrendaram mais terras e iniciaram a plantação de tomates.
Foi nesta plantação que eu tive meu primeiro e verdadeiro emprego.
Eu deveria ter uns 8 anos e eles precisavam de gente para montar as caixas de madeira que iriam ser usadas para embalar os tomates colhidos.
Fui e me lembro muito bem quando ao final da semana, recebi meu primeiro salário da vida, fruto de muitas marteladas (algumas no dedão), que dei montando caixas de madeira para tomates.
Eles cresceram, adquiriram terras, depois adquiriram lotes na cidade de Itu, construíram uma bela casa, vieram os filhos que foram estudar em boas universidades.
Ele então, de tempos em tempos, voltava ao Japão para visitar os parentes e sempre voltava com histórias e alguma lembrança para o meu pai.
Não sei onde andam, não sei o destino deles, mas o que ficou em minha lembrança foi a vontade, a honestidade e a amizade que eles tinham para conosco.
Chegaram com uma mão na frente e outra atrás, trabalharam e construíram uma vida, fruto do suor e o trabalho de suas mãos.
Por isso eu admiro o povo japonês. São determinados e tem um relacionamento fechado no início, mas quando fazem amizades, o fazem por toda a vida.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O olhar feminino de uma viagem a Porto Murtinho



Olha só a história que a Chú escreveu depois da viagem a Porto Murtinho.... grande historia que merece ir para este Bloog.


Iniciamos nossa viajem quarta feira rumo a Porto Murtinho.Não imaginaria o quão divertida e emocionante essa viagem seria.
Marcamos a saída do posto ESSO na rua Marthin Luther, lá estavam nós todos prontos e ansiosos afinal seriam 1.800 km até nosso destino.
Saímos em 7 motos. Eu e meu querido Sergio, Geana e seu querido Alfredo, Marcos, Beber, o Chefe Chico e o amigo Bogo.
Roncaram-se as motos e lá fomos nós todos guarnecidos com nossas roupas próprias para o frio.
Ao longo do caminho uniram-se a nós os PRF, Reickzigel e Deiton.
A tarde prometia. Logo no início percebi que seria uma mudinha, pois meu comunicador tão esperado por meu querido não funcionara, eu só escutava, mas me impediria a comunicação com meus amigos ao longo do caminho, mas não me impediria de ser uma testemunha ocular de uma história encantadora.
Pelos caminhos pude observar o quão interessante é viajar com homens meninos e meninos homens.
Vou explicar. Todos tinham rádio comunicador, parece simples, mas para eles não.O rádio tornou-se um aliado a mais.Com ele romperam-se à distância e o caminho ficou eletrizante, rico de histórias e comédias.
Notei o fascínio que o mesmo exercia sobre os queridos. Os queridos no primeiro momento da viagem ainda estavam tomados pelo stress, pois todos saímos direto do trabalho para a viagem com exceção de alguns.Pois bem essa mistura de stress e ansiedade os acompanhou digamos lá pelos 200 km, sei lá. O importante foi o momento que cada um foi se soltando, parece que se entregando ao ronco de suas motos e assim as piadas foram saindo uma a uma.Os causos e as prosas foram se tornando cada vez mais estapafúrdios, mas singelamente hilariantes.
A paisagem foi ao longo do caminho mudando de cenário como se estivéssemos olhando cenas de um filme. Cada quadro, como se, pintado à mão. O cheiro do mato. O vento batendo em nossos rostos, o frescor da manhã. Que delícia!!!!
Um cenário delicioso, que somente em cima de uma moto se pode sentir.
- Hei!!!! Pessoal!!! Alguém aí, Chinoca, uhuh!!!
- Fala Chinocão
- Cadê você??? Está dormindo???
- Não. Aqui quem vos fala é o locutor da rádio PHD, com o patrocínio “Blusa seu revendedor WOLKSWAGEM para Blumenau e região”.
Ao longo do caminho foram contando a “estória” do nome NIOAQUE. Deus do céu, cada um com sua teoria sobre o porque do nome.E lá vieram mais besteiras.
- Nioaque porque os índios da localidade não conseguiam dizer NEW YORK. Dizia o Joaquim.
- Não! NIOAQUE originou de um nome indígena sei lá – dizia outro
- NIOAQUE porque Nio é de Mio e oaque é de conhaque.
E a definião do nome de Aquidauana!!!
Gente, o Joaquim disse que o nome Aquidauna surgiu porque lá viviam muitos gaúchos, que gostavam de dar o ..... bem, vcs já sabem o que né? E aí ficou Aquidaoanus, Dá pra acreditar?
E assim a viagem seguia. Não pensem que não falavam nada sério até falavam tipo
Olha o buraco
- Cachorro!!! Cachorro!!!
- O peru é meu e ninguém tem nada com o meu peru – Alfredo
- Não fique bravo estamos somente explicando que peru em espanhol tem outro significado divergente do Brasil -.Retrucava Chico
- Então... Finalizou Beber é isso mesmo que eu queria dizer o peru cada um que cuide do seu peru ahahah..... E a risada rolou solta.
Assim seguimos nosso caminho entre os deliciosos comes e bebes de todos os amigos que nos recepcionavam com muito carinho.
Entramos no Estado de Mato Grosso e nosso comboio aumentou consideravelmente, de lá de trás via o sol acompanhando nosso caminho sendo capricho em seus raios, de modo que o calor aumentava na medida que reduzíamos a velocidade das motos.
Caprichosamente um casal de araras azuis cortou a comitiva, como que nos cumprimentando pela chegada ao Estado do MS.
O entardecer no pantanal é supremo o sol caprichosamente foi delineando seus raios por entre as árvores e nos presenteando com imagens magníficas.
Já anoitecia quando chegamos a Porto Murtinho. Não acreditei no que estava vendo.
- Chú! O que é isso?? uma bandinha??? Para nós??
- Não acredito!!!!!
Eu não acreditava nem tampouco os demais que comigo estavam.Adolescentes se desdobrando para nos mostrar o seu melhor.
Fiquei deslumbrada. Havia brilho nos olhos das crianças, que entusiasticamente observavam os maiores como que os idolatrando.
Havia uma representante feminina no grupo de meninos guarda mirim.Não me agüentei e fui ter com ela.
- Há quanto tempo está nesse grupo?? Perguntei
- Há 4 anos respondeu ela, com o peito inflamado e em postura de sentinela, sei lá como se diz.
Tudo o mais que vi e senti a partir daí mudou de alguma forma algo dentro de mim e com certeza dos demais.
Um povo pobre, no fim do mundo, mas que ama sua terra e o lugar onde vivem.
Querem um exemplo o rapaz que apresentou o Touro bandido (turma verde) ele não só declamava, mas falava com o coração e ao fim de sua participação ele beija o chão.
Outro talvez na Chalana quando queria aprender a dança típica, minha mestra era uma enfermeira que foi estudar em São Paulo e retornou a sua terra natal.
- Motivo??? – perguntei
- Eu amo essa terra disse ela dançando graciosamente.
Pois bem gente.Vi muito e aprendi muito mais ainda.
Se pensam que acabei.Pasmem! Quando do nosso retorno, que delícia ouvir ao longo da estrada a frase.
- Deixem o Mário passar com a moto “Golden” do Lelê. Vamos cuidar desse garoto para que retorne bem- exclamou o Chico.
Dizem que para cada ação tem-se uma reação na mesma proporção. Essa frase eu pude comprovar nitidamente, na parada em um posto qualquer para abastecimento.
Carinho e dedicação concedido, retribuição espontânea e de coração. O César carinhosamente pegou um paninho e começou a passar cuidadosamente nas bolhas das motos, dizendo.
- A noite está chegando.Precisamos estar com as bolhas das motos limpas, pois todo o cuidado é pouco.
Gente!!! Quando e onde se vê atos assim. Pouquíssimos podem ter certeza.
Entendi então o significado de viajar de moto.Aumenta-se o circulo de amigos, quebram-se as barreiras das classes e os homens tornam-se tão somente homens desprovidos de cargos, status. Forma-se então uma grande confraria.
Eu, continuava mudinha e o Sergio, quando falava, gerava uma interferência geral em todas as outras motos. Solução: inventaram um TRADUTOR.
Isso mesmo, o pessoal fazia perguntas ao Sergio, que respondia por gestos de mão, que eram traduzidas pelo Bogo, que vinha atrás da nossa moto.
Ei pessoal, lá vem a maquina de costura, afinal esta moto do Sergio parece uma maquina de costura. E ai Sergio, tem cerveja neste teu freezer.
- Ele fez um “zerinho” com os dedos, traduzia o Bogo.
- Ah, isso quer dizer OK, ele concorda, dizia outro.
- Não sei não Bogo dizia, eu acho que este zero quer dizer outra coisa.....
- Ei, agora ele fez um gesto com o dedo apontado para cima, mas só um dedo o resto da mão está fechada !!!
- Ele está apontando para o céu azul.
- Não é não, Bogo dizia, eu conheço este sinal.....ele está mandando a gente pra aquele lugar.
Beber, que tal tomarmos este vinho que vc comprou hoje á noite? Eu até comprei lingüiça para acompanhar?
- Bem, veja, se for do interesse de todos, é claro que eu concordaria em tomarmos este maravilhoso vinho, afinal, somos todos amigos, Beber dizia.
- Este vinho vai azedar tomando todo este sol Beber, vamos tomar ele logo antes que estrague!!
Pois bem pessoal, fui uma testemunha ocular, tão somente, de uma viajem fascinante onde em minha bagagem fiz questão de rechear com momentos que ficarão guardados em minha mente e em meu coração.
- A propósito......
- Alguém cuide do buraco atrás do Beber, vai entrar um caminhão......
- Ih, entrou um caminhão atrás do Beber.
- Quem deixou entrar um caminhão atrás do Beber?
- Risos......................................

Beijos e obrigada
A mudinha, que não é mudinha.
Chu 12/06/2008

terça-feira, 10 de junho de 2008

Viagem Fantástica a Porto Murtinho




Já estamos em casa depois de 3500 km de uma viagem fantástica a Porto Murtinho, e assim como nós PHD´s aqui de Blumenau, cremos que a maioria já está em casa também.
E não teria sido fantástica se não tivéssemos conhecido, por mais rápido que possa ter sido, um pouco da cultura da cidade e conhecido um pouco das pessoas e das crianças daquela cidade maravilhosa, escondida entre rios e planícies, num pedaço quase esquecido deste nosso Brasil.
Demos nada, voltamos com muito.
Não me refiro aos comes & bebes, não me refiro á fantástica hospitalidade oferecida nos jantares e almoços, todos, impecáveis.
Me refiro ás crianças de Porto Murtinho, verdadeiros tesouros.
Me refiro aos guardinhas perfilados um a um junto das motos.
Me refiro a banda à tocar em nossa chegada.
Me refiro ás duas meninas acrobatas que acompanhavam a banda que, descalças e de pernas nuas, se jogavam no asfalto cheio de areia como se estivessem dançando no palco mais lindo do mundo, tudo isso para nos impressionar.
Difícil não se emocionar, quando perguntamos a um humilde casal ao nosso lado o porquê estavam ali e poder ouvir a seguinte resposta: Aquela é minha filha!
Eles eram Pai e Mãe de uma das dançarinas acrobatas, e se encheram de orgulho para nos dizer que aquela era a FILHA DELES e que estavam ali orgulhosos em ter uma filha, não para ser explorada, mas para ser admirada como uma artista, como uma pessoa. Ela, é a heroína deles.
Me refiro ás 52 meninas do coral, 13 em cada uma das 4 fileiras daquele palco, que cantaram como nunca para nós. Difícil não chorar, todos choramos.....
Que vozes dóceis daquelas meninas.....
“Aqui esta a prova de que, com amor, carinho e dedicação, podemos transformar as pessoas, podemos dar a elas uma chance de serem cidadãs e de terem uma vida digna”
Vida digna, é tudo o que elas querem, quantas vão conseguir ninguém sabe.
Me refiro também aos jovens dançarinos que compunham o Touro Bandido e o Touro Encantado.
Fiquei imaginando o quanto ensaiaram, o quanto treinaram e o quanto se dedicaram para aquela única apresentação.
Terminado, fiquei imaginando o que eles sentiram. Com certeza ficaram orgulhosos por terem sido perfeitos.
De uma coisa tenho certeza, já estão pensando na dança do próximo ano, nos motivos, nas letras e nos ensaios que estão por vir.
Um dia, o Chico me falou de Murtinho.
Não entendia, agora entendo.
Queridos PHD´s:
Vocês são o motivo deles estarem lá.
Vocês são a razão do esforço deles.
Vocês são o Touro Bandido e o Touro Encantado deles.
Vocês são a única razão deles ensaiarem o ano todo, para ao final, mostrarem com orgulho o que conseguiram.
Nada pediram, muito nos deram.

Um, dia o poeta escreveu:

“A grama desenha o verde,
A árvore desenha o céu,
O vento desenha a nuvem,
A nuvem desenha o azul,
A água desenha o rio,
.......E o HOMEM desenha o tempo,
na exatidão do seu SONHO”

Amilcar de Castro

“Vida, Sonho, Esperança”.
Na letra de uma das músicas que cantaram para nós, está a razão da vida deles.
Viva Murtinho!!!

aPHD Sergio Pires.
Blumenau, 10 de junho de 2008